baleias

SÃO POUCOS OS HOMENS QUE AINDA ACREDITAM EM BALEIAS

(Patuá, 2017), de Vinícius Varela

 

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MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA PARA MERGULHADORES AMADORES

A delicadeza de acompanhar a busca de um poeta pela sua voz. Ou melhor, pelo seu tom, seu canto cheio de beleza e maresia. O livro de estreia de Vinicius Varella, A garganta da baleia para invernar, é um canto de comunhão com outros poetas. Leitor ávido e atento, Varella faz do livro um diálogo, provoca a audição ao eco com outros autores – como o escritor e poeta Roberto Bolãno, que nos deixou de herança versos como: “la poesía entra en el sueño / como un buzo en el lago”.

O poeta segue essa instrução, entretanto o mergulho é feito em águas salgadas e profundas. Antes do salto dentro da garganta de uma baleia, como quem roda um bambolê de frente ao mar, ele baila e gira com as palavras. A força deste primeiro livro de versos não se restringe somente a busca de um canto, cheio de leveza, mas sobretudo aos próprios silêncios que leitor é levado a encontrar dentro de si.

Antes de iniciar, é preciso sintonizar-se com a frequência dos versos e prender a respiração para o mergulho sem balão de oxigênio. Ainda bem que nesta viagem cheia de incertezas, existem aqueles que acreditam em baleias – felizmente, alguns deles são poetas. Vinicius Varella imerge e volta a superfície para cantar os aprendizados e, eventualmente, revelar as pérolas imaginárias e relíquias ancestrais que submerso encontra.

À deriva, em meio aos poemas, “tudo vai ser dito a você / no tempo certo”. Basta apenas guardar as lembranças voláteis, os cantos de uma baleia. Aqui, o amor é uma promessa.

Ramon Nunes Mello


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