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orelha do livro A lua depois do gravador, de Simone Magno

 

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A lua depois do gravador é um livro de amor, que facilmente pode se tornar objeto de afeição do leitor. Um livro portátil repleto de acontecimentos dignos de memória. A gravação de vários sinais ao mesmo tempo amplifica-se nas palavras da autora. Os sentimentos foram convertidos em linguagem através de um olhar sensível, as histórias foram magnetizadas na voz de personagens.

[Você não merece este homem que te ama e te perdoa. Você não merece este homem porque ele é igual a você, você também não presta, você também é imprevisível, você também quer muito, quer o mundo, quer ser feliz. Você não merece, mas e daí? Ele é seu.]

Simone Magno faz-se substantivo feminino, modifica o sujeito em objeto, para permitir a troca de carinhos, dores e lembranças. Ciente de que a significação do amor não se encontra nos dicionários, a autora acessa suas memórias afetivas, faz um backup de amores pretéritos e inventa novos vícios para encontrar definições possíveis para o sentir. Ela se coloca como um satélite natural que gira em torno do amor, um movimento arriscado, mas necessário, para uma escrita que segue apresentando fases e exibindo sempre a mesma face, assim como a Lua.

[Você era a protegida do grande escritor, nas horas vagas entre a leitura e a datilografia você corria para o outro, com quem ouvia música e escrevia poesia. Uma hora você era musa, na outra amante proibida.]

Um texto vertiginoso, que ainda mantém o frescor da poeta que, em 1988, nos serviu o Avelã Pirata, cujos referenciais, hoje amadurecidos, estão presentes em sua prosa. Um texto curto que sublinha cor e o brilho de cada voz, sem esconder os chiados, “aquela sujeirinha cotidiana que dá vigor aos sons”. Escolhas, angústias e sonhos são retirados dos cantos de gavetas e expostos sem lamentos.

[Seu esforço na banheira é para não virar uma burocrata de papel e caneta, com hora marcada e sono na madrugada.]

A economia verbal dessas micronarrativas revela a exatidão desse registro, potencializando ao máximo a efemeridade dos encontros amorosos, e do próprio gênero de escrita. Uma miniatura literária que nos leva a desdobrar as histórias na imaginação, entendendo que esses contos podem ser uma única novela de amor.

Ele, nestas páginas, é o outro, mas pode ser você. Lembre-se disso.

Ramon Mello


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