esquizoide capa

 

O esquizóide - coração na boca

orelha do livro O Esquizoide – coração na boca, de Rodrigo de Souza Leão

 

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Rodrigo de Souza Leão não tem medo de enfrentar (com urgência e coragem) seus demônios. Pelo contrário, transforma-os em aliados. Ao começar pelo título deste livro – O Esquizoide -, um rótulo que o autor faz questão de grudar e desgrudar na própria face.

“A vida é só um segundo. Um aflito segundo para um esquizofrênico como eu. Digo o que sou e me defino para que as pessoas que têm medo de gente maluca logo desistam de me ler.  Ler-me significa ler o estranho. Ler um outro lado que existe em cada um.”

Revela sua condição para, em seguida, negá-la. Sou. Não sou. Somos todos pois. O autor compreendeu que, ao apropriar-se dos estigmas que rondam sua existência, pode lidar com seus limites e, ainda com o preconceito dos ignorantes.

Com propriedade de quem conheceu os meandros da clausura em seus dias contados, Rodrigo mostra neste livro que é reducionismo aprisiona-lo numa palavra. O poeta, que canta sua prisão para falar de liberdade, alerta que é melhor conhece-lo “pelas atitudes do que pelo cantar esquizofrênico”.

Uma escrita que caminha em círculos, conduz o leitor a olhar o que está em volta e a questionar certezas alheias com um irônico “talvez”. Uma narrativa híbrida para digerir o “coração na boca” e regurgitar um relato com forte grau de aproximação biográfica.

A palavra como arma para encerar a própria dor e, por consequência, diminuir o sofrimento de seus pares. Sente-se um “amor de gratidão” por Rodrigo de Souza Leão, por ter ido tão longe. Entenda antes de qualquer julgamento: aqui tudo é amor”.

Ramon Mello


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