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O autor e seu duplo

orelha do livro Rubores, de Leandro Jardim

 

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Amor, leveza e lirismo. Rubores, de Leandro Jardim, é trabalhado com estes ingredientes.  Investigando seus afetos, o autor alia sua imagem ao espelho (ainda que distorcida), flertando com o nonsense das situações cotidianas.

Em cada história acompanhamos a busca pela significação da vida e seus mistérios Os personagens revelam a angústia do processo de reconhecimento do outro, que o leitor encontra para construir a narrativa.

No conto de abertura, as confidências reveladas entre dúvidas e dores apontam o universo do autor do livro, que se confunde com o do autor de “Carta Resposta”.

"Deixe-me explicar logo de uma vez, o que se passa comigo, esse mistério do qual se tem falado (e que me dá tamanha vantagem) é que sou dois. Pode parecer estranho, eu sei, mas é a mais pura verdade."

Inquietações com o fazer literário e as idiossincrasias dos relacionamentos amorosos são abordados, por exemplo, proporcionando um jogo de revelações, simulações e transformações das histórias.

Com delicado tratamento com as palavras, Jardim constrói os caminhos de sua prosa equilibrando-se entre versos que atravessam os parágrafos: "Na penumbra não há só o lirismo / do que é luminoso por ser profundo,  / claro, há o obscuro e turvo / que não raro apaga o gozo"

A escritura como escolha para aprisionar o tempo, e dissecá-lo com calma. Rubores pode ser lido como um precioso inventário de inquietações de um poeta.

Ramon Mello


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