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Dupla Homenagem

apresentação do livro Maria Bethânia Guerreira Guerrilha, de Reynaldo Jardim

 

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O desejo de reeditar Maria Bethânia Guerreira Guerrilha, de Reynaldo Jardim, surgiu da vontade de ler esta obra lançada em 1968, mas que nunca propriamente chegou ao público. Da tiragem de cinco mil exemplares impressos na gráfica Fon -Fon, poucos restaram. Lançado às vésperas do AI -5 — o ápice do regime ditatorial que barbarizava o país —, este livro entrou na lista negra do governo militar, foi considerado subversivo e pornográfico, confiscado, e retirado das livrarias.

Reynaldo Jardim conseguiu salvar algumas cópias, que enviou às pressas para a casa de sua cunhada. Maria Bethânia teve a sua cópia queimada. Os exemplares que restaram adquiriram status de raridade e passaram a ser comercializados a preços exorbitantes em sebos e sites na internet.

Para quem, como nós, é de uma geração que tem formação musical, poética e afetiva que passa, necessariamente, pelo encanto de ouvir Maria Bethânia declamar poetas como Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, João Cabral de Melo Neto, Vinicius de Moraes, apenas para citar alguns, parecia incoerente e injusto que uma ode poética em sua homenagem permanecesse, quarenta e três anos depois, ainda sob o cálice da ditadura.

O impulso de trazer esta obra de volta ao público coincide com o melhor dos espantos: o encontro com a vastidão e a originalidade da obra de Reynaldo Jardim, poeta e artista inventor, jornalista visionário que reformou jornais, criou revistas e suplementos culturais. Conforme a organização deste livro tomava forma, e nos aproximávamos do universo de Reynaldo, algo ficava muito claro: além de tudo, Rey, como seus amigos o chamavam, era queridíssimo, amado e festejado.

Algumas pessoas foram fundamentais para que ganhássemos alguma “intimidade” com o autor. Elaina Maria Daher Jardim, sua esposa, nos orientou de maneira muito gentil com recomendações de como deveríamos conduzir a reprodução do livro e nos enviou o Sangradas escrituras (Brasília: Star Print, 2009), antologia que reúne toda a sua toda a sua obra, além de inúmeros recortes de jornais sobre a época do lançamento do Maria Bethânia Guerreira Guerrilha, alguns deles aqui reproduzidos.

Fomos apresentados a amigos de Reynaldo que acabaram colaborando decisivamente com este projeto. Entre eles, devemos um agradecimento especial a Alisson Sbrana, jovem cineasta de Brasília que filmou o belo curta metragem Profana via Sacra, a partir da obra de Reynaldo, e nos enviou o registro de um comovente depoimento em que o poeta relembra a história deste livro e declama um novo poema que havia feito para Maria Bethânia. Editamos estas imagens para montar um vídeo e utilizamos como trilha sonora a bela interpretação de Lourdes Ábido (Golfinho Gaivota, 2007) para versos musicados de Maria Bethânia Guerreira Guerrilha. Acrescentamos a transcrição do depoimento do Reynaldo e a partitura da canção ao final do livro. O vídeo pode ser assistido em www.debe.com.br.

A organização, pesquisa e publicação desta segunda edição de Maria Bethânia Guerreira Guerrilha também não seria possível sem o apoio de algumas instituições como o SESC Rio e a Fundação Biblioteca Nacional, além de um coro de amigos e admiradores de Reynaldo Jardim. Nossos agradecimentos a Ana Basbaum, Ana Luisa Chafir, Ana Arruda Callado, Branca Lee, Carmen Xavier, Eduardo Coelho, Ferreira Gullar, Júlio Diniz, Leandro Collares, Lourdes Ábido, Luiza Moscoso, Maria Bethânia, Maria Edith, Martha Alencar, Mila Petrillo, Nicolas Behr, Paulo Cezar Saraceni, Paulo Roberto Pires, Washington Novaes, Ziraldo e, especialmente, Elaina Daher e seus filhos Rafael, Gabriel e Micael pela confiança e parceria.

Aventura aberta a sorte te valha

 

Marcio Debellian e Ramon Nunes Mello*

* Marcio Debellian e Ramon Nunes Mello são responsáveis pela organização e pesquisa desta reedição. Marcio tem formação em Economia e Teatro, é realizador do documentário Palavra (En)Cantada, sobre a relação entre música e poesia, e coorganizador da antologia Liberdade até agora (Mobile, 2011); e Ramon é jornalista e poeta, autor de Vinis mofados (Língua Geral, 2009) e Poemas tirados de notícias de jornal (Mobile, 2011)

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