CÉLIA DE ANDRADE

Perfil da diretora da Museu Casa Casimiro de Abreu

Por Ramon Mello (Portal Cultura.rj 2009)

 

Célia Andrade, diretora do Museu Casa Casimiro de Abreu, conheceu a obra do poeta romântico Casimiro quando ainda morava em Rondônia. Amazonense, teve contato com os versos do jovem poeta, ainda na infância, ouvindo e cantarolando modinhas.

Há oito anos a frente do Museu, Celinha (como gosta de ser chamada) cuida da memória do poeta com dedicação desde que o ator e diretor de teatro Ginaldo de Souza, na ocasião presidente da FUNARJ, lhe convidou para o cargo. Morando em Araruama, na Região dos Lagos, ela vai diariamente à Barra de São João para acompanhar o planejamento da casa, que foi reformada recentemente.

“Casimiro de Abreu é o patrimônio emocional do país, como disse Carlos Drummond de Andrade. É uma alegria trabalhar na casa do velho trapiche do poeta. Estou muito feliz com a reforma. Agora pretendo trazer os jovens poetas do Rio para um sarau, assim podemos expandir a sensibilidade da população. Não é preciso muita erudição para entender, por exemplo, que o Rio São João é poesia. Precisamos mostrar para o jovem que é possível transformar o pensamento em linguagem poética”, defende.

Formada pela Escola Estadual de Teatro Martins Pena, onde teve como colega a atriz Joana Fomm, Celinha iniciou a carreira no teatro. Nesse período, quando ainda estava casada com o jornalista Luiz Carlos Maciel, entregou em contato direto com artistas e intelectuais que foram importantes na sua formação, entre eles, dramaturgo Stanislaw Ponte Preta, o Sérgio Porto.

“Cheguei ao Rio de Janeiro com 15 anos de idade, foi difícil no princípio. Mas tive a sorte de conhecer o teatro, que abriu meus horizontes. Tive o privilégio de frequentar uma roda cultural com pessoas importantíssimas na minha trajetória. Se não tivesse feito tudo o que fiz, talvez não optasse por morar no interior e me dedicar a vida de um poeta”.

A trajetória de Celinha é tão vasta quanto o seu interesse pela cultura. Foi coordenadora do projeto Pixinguinha, o conhecido Projeto Seis e Meia, promovendo o intercâmbio de manifestações musicais entre as diversas regiões do país, a preços populares. Trabalhou em tele-teatro no Teatro Troll, com Flavio Sabbagh, improvisando diante da TV. E foi eleita uma das ‘certinhas’ do Lalau – curvilíneas vedetes do teatro carioca -, como Norma Bengell, Carmem Verônica, Brigitte Blair, Mary Marinho, Sandra Sandré… O trabalho de vedete rende admiradores até hoje.

Enfim, Celinha resolveu levar uma vida mais bucólica no interior do Estado do Rio de Janeiro. Sem filhos, dedica a sua atenção aos jovens que aparecem na Casa Casimiro de Abreu com o interesse de saber a história do poeta.

Se ela escreve?


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