CLARICE, UMA PAIXÃO

Benjamin Moser e Beth Goulart debatem a obra da escritora Clarice Lispector na Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Por Ramon Mello [Blog Letras SaraivaConteúdo – 2010]

 

Benjamin Moser, autor de Clarice, – biografia de Clarice Lispector – se reuniu  neste sábado, 14 de julho, às 15h, na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, com a atriz Beth Goulart, que interpreta a escritora na peça Simplemente eu, Clarice Lispector.  O encontro no Salão de Ideias,  intitulado ‘Clarice Lispector: decifrações da esfinge’, foi mediado pelo jornalista Manuel Costa Pinto, curador da programação, que apresentou os convidados para uma platéia lotada de leitores interessados na escritora homenageada.

Beth Goulart inciou o debate relembrando o interesse por Clarice Lispector, cultivado nas leituras da adolescência.  “Minha admiração por Clarice começou quando li Perto do Coração Selvagem. Convivi com Clarice desde os 13 anos. Mais tarde livro o Cartas Perto do Coração, que são correspondências entre Fernando Sabino e Clarice. Nessa época surgiu o desejo de levar Clarice para o teatro. Mas a família do Sabino não tinha o mesmo interesse. Então, comecei a trabalhar o monólogo a partir de algumas personagens femininas. Não tem como falar de Clarice sem falar de sua obra, ela se revela em tudo que escreve”.

O escritor norte-americano Benjamin Moser, autor de uma das mais importantes biografias sobre Clarice Lispector, lamentou não ter conhecido a obra de Clarice ainda jovem. No entanto, afirmou que a leitura, mesmo que tardia, foi arrebatadora.

“Eu fiquei louco quando li Clarice! Eu não a conhecia mas já queria fazer alguma coisa. A Beth foi produzir uma peça, encená-la. Eu decidi contar num livro a história dessa escritora fascinante. Clarice nos leva para muitos lugares dentro da gente. Mas ela também me levou fisicamente a lugares que eu não imaginava. Fiquei encantado com a Ucrânia e, ao mesmo tempo, triste, tentando entender o lugar que morou a família de Clarice’.

O debate girou em torno de curiosidades sobre processo de criação das obras de Moser e Beth,  a partir da ligação com Clarice e seus textos. As perguntas do público surpreenderam pela abordagem crítica, fazendo do encontro uma reflexão profunda sobre importância de Clarice Lispector. E deixando os convidados à vontade para conversar, como velhos amigos.

“Quando li o livro do Benjamin tive a sensação que já o conhecia. Percebi que temos um olhar parecido a respeito de Clarice”, declarou Beth Goulart.

“Agora, eu e Beth somos amigos de infância”, brincou Benjamin Moser.


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