Alessandra Colasanti
Retrato de uma artista múltipla e bem-humorada

Por Ramon Nunes Mello


Alessandra Colasanti vive – no espetáculo ‘Anti-Clássico’ – uma bailarina pedante e libidinosa, do ‘Ballet Imperial de Moscou’, que ministra uma “desconferência sobre o enigma vazio”. Mas ela poderia estar dirigindo a peça de algum companheiro de teatro ou realizando uma produção de vídeo. Ou, ainda, escrevendo um texto encomendado, enquanto atua na TV.

Devido sua versatilidade, definir seria limitá-la. Mas pode-se dizer que Alessandra é uma mulher fragmentada. E por conta dessa peculiaridade, ela vem construindo, nos “descaminhos” que tem traçado, uma carreira sólida como atriz e suas reticências: diretora, produtora, figurinista, cenógrafa e autora. Uma artista múltipla e muito bem-humorada. Numa conversa de cinco minutos, ela é capaz de arrancar risos de qualquer pessoa.

“Sofri um pouco por conta das minhas diversas aptidões. A sociedade quer te classificar, dizendo que se você faz de tudo, você não faz nada. Mas para mim isso não funciona. A minha trajetória faz sentido e é coerente com o que sou hoje. Não sou só atriz. E tudo isso para mim é muito natural porque não é uma coisa megalômana. É de minha característica”, afirma Leca, como é conhecida pelos amigos.

Sua estreia profissional como atriz aconteceu com o aval de Gerald Thomas, quando foi aprovada para peça ‘Deus Ex Machina’, numa seleção com mais de 500 concorrentes. Formada em Interpretação pela CAL, atualmente faz Teoria Teatral na UNIRIO e mantém em paralelo os projetos profissionais. Como diretora coleciona algumas parecerias com o ator e poeta Michel Melamed, na peça ‘Regurgitofagia’ e ‘Dinheiro Grátis’.

Mas antes de se dedicar à sua faceta de atriz, ela estudou moda e chegou a montar a própria confecção: ‘Filha do Rei’.

“O meu caminho natural era fazer jornalismo, o que eu gostava e tinha como referência. Ou teatro, que eu fazia na escola. Mas por alguma razão (obscura!) eu não fui fazer nada do que seria o meu pendor. Fui fazer cenografia, e no meio do caminho gostei de indumentária e acabei me interessando por moda. Estudei moda e logo criei minha própria confecção, cujo nome alguns acham sintomático…”, diz Alessandra, brincando com o fato de ser filha do poeta Afonso Romano de Santa’Anna e da escritora Marina Colasanti.

Se existe alguma expectativa escreva algum livro, ela parece não se importar muito: o que escreve acaba indo para o palco – lugar onde se sente mais à vontade.

“Tenho diário desde os oito anos de idade, escrevo contos, poemas… Tenho manifestações literárias, mas acabo convergindo para o teatro. Posso vir futuramente publicar um livro, que sabe? Tenho interesse por literatura, teatro, vídeo e muitas outras coisas. Não tenho que definir nada. Não me vejo estanque fazendo só uma determinada coisa. Tudo que faço é o prolongamento de um trabalho autoral.”, afirma.


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