O EROTISMO DE ANTONIO DIAS

Artista plástico fala sobre a experiência de expor na Galeria Laura Alvim,
depois de seis anos

Por Ramon Nunes Mello [Portal Cultura.rj 2010]

   

 antoniodias

 

Para celebrar a obra de Antonio Dias, a Galeria Laura Alvim, em Ipanema, realiza, a partir de quinta-feira, dia 15, uma mostra com 13 obras. Os trabalhos estão reunidos, numa série inédita de fotografias impressas sobre tela, a partir de originais em polaroide – dez dípticos, iniciados pelo artista ainda na década de 80.

Sob a curadoria de Ligia Canongia, Antonio Dias faz intervenções nas obras, com instrumentos sobre a superfície da foto, enquanto ela está se revelando. A exposição, que inclui obras de diferentes fases do artista, expõe também múltiplos em vidro soprado em forma de pênis, de 1996, intitulados 100 =, e uma pintura, de 1985, com um rodo projetado para fora da tela, outra imagem fálica. E, ainda, tem o tríptico Derrotas e vitórias (para Bento), de 2006, um vídeo projetado sobre três telas contíguas.

Em entrevista ao Cultura.rj, Antonio Dias fala sobre a experiência de expor, depois de seis anos sem fazer uma mostra individual no Rio de Janeiro, abrindo a temporada 2010 da Galeria Laura Alvim.

Há seis anos sem fazer exposição individual no Rio, hoje você abre a temporada 2010 da Galeria Laura Alvim, com obras inéditas. Como é essa experiência? Por que tanto tempo sem uma exposição individual?

Antonio Dias – Reunir material para uma exposição requer sempre muito tempo. Nestes últimos dois anos, por exemplo, estive completamente ocupado com a exposição que foi apresentada na Daros Collections, de outubro 2009 a fevereiro deste ano, em Zurique. Foi um levantamento importante dos períodos dos anos 60 e 70. Esta exposição deve ser mostrada em São Paulo ainda em 2010.

Como foi montada esta exposição da Galeria Laura Alvim? Como foi o processo de escolha das obras?

AD – Para esta exposição, fiz escolhas entre as centenas de polaroides que havia acumulado a partir de 1989. Foram selecionadas algumas duplas, que decidi imprimir digitalmente sobre tela, com um processo especial que deixa a cor na superfície da tela, como uma pintura. Certas duplas foram escolhidas exatamente por uma certa afinidade com a pintura, já que as intervenções que fiz durante a revelação (digamos assim) das polaroides criavam áreas de cor ou grafismos não fotográficos. Estes são os trabalhos inéditos que estão sendo apresentados. Para completar a exposição, a curadora Ligia Canongia optou por incluir outros trabalhos, em mídias diferentes – pintura de 1985, múltiplo em vidro de 1996 e um vídeo de três anos atrás.

Você nasceu em Campina Grande, na Paraíba. Na infância, viveu em várias cidades do Alto Sertão e da costa de Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Em 1957, se transferiu para o Rio de Janeiro. Além disso, morou em cidades como Paris, Milão e Berlim. Como a transição por essas duas cidades se relaciona com sua obra?

AD – Eu trabalho em qualquer ambiente, é indiferente. Sou habituado assim. Carrego comigo meus próprios “ambientes”. E, neste sentido, não importando muito o ambiente externo.

Você estudou gravura com Oswaldo Goeldi, no Atelier Livre de Gravura da Escola Nacional de Belas Artes. Como é a sua relação com esta técnica?

AD – Eu continuo a gostar muito de gravura sobre madeira, mas não tenho trabalhado com esta técnica há muito tempo.

Você é o fundador do Núcleo de Arte Contemporânea, um grupo de trabalho cuja proposta é a difusão da arte contemporânea, nacional e internacional. Como é a valorização do artista plástico brasileiro no mercado internacional hoje?

AD – O artista brasileiro tem um bom prestígio no cenário internacional. Mas ainda é necessário muito trabalho para que esta posição seja mais efetiva. Não há uma política de apoio de qualidade, o que é uma pena.

Com mais de 40 anos dedicados às artes plásticas, como você avalia o cenário atual de arte contemporânea brasileira?

AD – Neste ano estou fazendo 50 anos de trabalho. Há algumas gerações o trabalho do artista brasileiro tem se demonstrado forte nas suas bases e com uma aproximação dos problemas artísticos diferenciados do que se vê no chamado primeiro mundo. Não é pelo mercado que a arte brasileira conquista corações: é pelas ideias novas.

Seu nome foi um dos primeiros a ser confirmado na Bienal de São Paulo deste ano. Quais são as obras que você vai expor por lá?

AD – Por enquanto, a Curadoria da Bienal selecionou dois trabalhos já demasiadamente vistos: O País Inventado, mostrado na Bienal feita pelo Paulo Herkenhof e reapresentado na Paralela, durante Bienal passada, e Faça Você Mesmo. território Liberdade de 1968, também muito conhecido do público.


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