TATIANA SALEM LEVY

CONVERSA DE BAR

Por Ramon Nunes Mello [Blog Letras SaraivaConteúdo – 2010]

   

 

Na mesa do bar Pangeia, durante o Festival da Mantiqueira, Tatiana contou as mudanças ocorridas desde o resultado do prêmio.

Em dezembro de 2007, Tatiana Salem Levy estreou com A chave de casa (Record). Tímida, lançando o primeiro romance, Tatiana concedeu sua primeira entrevista no Brasil, bebendo água mineral na mesa de um café no Leblon, no Rio de Janeiro. Passado algum tempo, a escritora foi premiada na primeira edição do Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria Melhor Livro de Autor Estreante – 2008.

A narrativa do romance é costurada por ficções e episódios autobiográficos. A narradora, neta de judeus da Turquia e filha de comunistas do Brasil, recebe do avô a chave que abriria a porta da casa de Esmirna, para onde os avós fugiram durante a Inquisição — tal como os pais fugiram para Lisboa por motivos diferentes. Tatiana, na busca das memórias familiares, tem carregado os leitores na sua viagem em busca de si própria. Impossível não acompanhá-la.

Por que a atração pela memória?

“Porque acredito que viagens e memórias podem dar ‘pano para manga’. A questão da imigração sempre foi muito presente na minha casa. Em algum momento eu achei que tinha que recontar essa história, para poder viver a minha história. Acho que é uma história minha, mas muitas pessoas têm histórias parecidas. E também acredito que há memórias que nascem com a gente. Por exemplo, eu não conheci meus avós”, confidenciou a autora em entrevista aoblog Clickinversos.

Desde então, Tatiana tem viajado muito para falar sobre sua escrita. O que mudou? A timidez da escritora está muito mais branda devido às frequentes entrevistas e mesas de debates de que tem participado. Na mesa do bar Pangeia, em São Francisco Xavier, durante o Festival da Mantiqueira — acompanhada de Flávio Carneiro, Cecilia Giannetti, Tiago Novaes, Wesley Peres e Otávio Júnior —, Tatiana contou as mudanças ocorridas desde o resultado do prêmio.

Você ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura com o romance de estreia, A chave de casa. Mas na época do lançamento do livro você recebeu uma crítica negativa no Prosa & Verso. Como tem sido essa mudança?

Tatiana Salem Levy – Em primeiro lugar, é bom falar que antes do prêmio também saíram críticas positivas em outros espaços como no Estadão e na revista Bravo. Ganhei muito mais visibilidade com o prêmio, que foi importante para estimular o trabalho.

O romance será lançado em outros países?

TSL – Sim. Haverá uma publicação na França e na Espanha. E vendi os direitos para o cinema.

Quem é o diretor?

TSL – Toniko Melo, um jovem cineasta da produtora O2.

Quantos exemplares do livro A chave de casa já foram vendidos?

TSL – A última vez que eu soube, estava na faixa de cinco mil exemplares vendidos. Vendi mil livros na época do lançamento e os quatro mil após o prêmio.

O escritor Cristovão Tezza, ganhador de quase todos os prêmios literários do Brasil em 2008, na mesa que reuniu os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, disse que se ele tivesse 30 anos talvez ficasse deslumbrado com os prêmios. Você tem exatamente 30 anos, ficou deslumbrada com o resultado?

TSL – Fiquei, mas só nos dois primeiros meses. Acho que se eu tivesse 20 anos eu ficaria deslumbrada mais tempo. Depois, tive um momento que eu não queria ver ninguém. Não escrevo para ganhar prêmios ou para aparecer nos jornais. Minha relação com a literatura é muito mais profunda, secreta e silenciosa. Literatura nada tem a ver com mídia. Claro que quero ser lida, todo escritor quer leitores. Mas não quero ter esse compromisso com a mídia.

O que pensou em fazer com o prêmio?

TSL – Em viajar, comprar uma casa no campo (risos). Adoro viajar.

Você viajou depois da premiação?

TSL – Muito. Mas a trabalho. Só descansei depois que fui para Angra, uma única vez. Quero ficar quieta descansando e escrevendo, sem responder e-mails.

Você era mais tímida.

TSL – Verdade. É que eu me acostumei em falar em público. Está falando isso porque foi a primeira pessoa que me entrevistou… (risos)

E a relação com a crítica e a imprensa?

TSL – Conquistei um espaço maior, o que tem sido muito bom.

Tem conseguido tempo para escrever?

TSL – Agora tento arranjar tempo, mas estou me organizando. Surgiram vários convites para festivais de literatura, palestras, oficinas…

Já pensa em outro livro?

TSL – Sim.

Qual o nome?

TSL – Não vou falar(risos). Não quero criar mais expectativas. Já falei sobre o assunto e não deu certo.


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