THALITA REBOUÇAS

O MUNDO COR DE ROSA DE UMA ESCRITORA POP

Por Ramon Nunes Mello [Blog Click(IN)Versos – 2007]

   

thalitarebouças

 

Uma mulher bonita, com jeito de adolescente e rosto de menina, que (literalmente) fala a linguagem da garotada. O nome dela é Thalita Rebouças, um fenômeno editorial que parece ter vindo para conquistar seu espaço entre os adolescentes, principalmente entre as meninas.

“Criança gosta de ser considerada jovem, mas jovem odeia ser tratado como criança. Escrevo para jovens de todas as idades: 12, 16 ou 9 anos. O retorno é muito legal. O adulto fala apenas ‘parabéns, o seu livro é legal’, e os jovens vibram e querem te dar um abraço. Amo escrever para adolescente. Fisgar novos leitores, fazer com que eles passem a gostar de livros e criem o hábito de ler: esse é o meu trabalho, o meu prazer”.

Fala Sério, Amor! (editora Rocco) – último volume da série Retratos de Malu – é o novo livro dessa carioca que optou por abandonar as redações de jornais para se dedicar ao sonho de fazer literatura. Resultado? Hoje ela é uma espécie de “Xuxa” do meio literário, vendendo mais do que muita gente graúda.

“Quando comecei a escrever, ainda era jornalista tinha o sonho de viver de literatura. Minha família foi ‘suuuperfofa’ quando eu disse que queria dar um tempo com o jornalismo e me dedicar à literatura: ‘Tá maluca? Vai morrer de fome, ninguém lê neste país!’ Um incentivo e tanto. Resolvi peitar os medos e a insegurança para tentar alcançar meu objetivo. Batalhei muito para chegar até aqui”.

Fui entrevistar a escritora em seu lançamento, no dia 19 de maio, na Livraria Siciliano, no Leblon. Cheguei meia-hora mais cedo e a fila de autógrafo, lotada de adolescentes acompanhada dos pais, já estava na esquina da Avenida Ataúlfo de Paiva. Então resolvi sentar na padaria do outro lado da esquina e tomar uma cerveja para fazer uma horinha…

A espera não adiantou muito. O jeito foi conversar no intervalo de um autógrafo e outro. A escritora pop falava com seu público com a intimidade de melhor amiga, posava para fotos e ainda passava batom para deixar a marca da boca no livro autografado. E as adolescentes se comportavam como se estivessem na frente de um ídolo da TV.

Se ela já recebeu alguma proposta para a televisão?

“Sim, já. Algumas pessoas me cantaram em relação a isso. Quem sabe não rola alguma coisa? Nada concreto, vamos ver…”

Você é formada em jornalismo. Como aconteceu essa transição para a literatura?

Thalita Rebouças – Gosto muito de inventar histórias, de contar um conto e aumentar um ponto, e o jornalista não pode fazer isso. Sempre fui assim. É muito bom criar histórias, muito melhor do que falar da realidade. Ainda mais para essa galera que dá um retorno tão bacana para mim.

Quando você começou, imaginou que chegaria a vender 70 mil exemplares?

TR – Quando comecei a escrever, ainda era jornalista tinha o sonho de viver de literatura. Minha família foi “suuuperfofa” quando eu disse que queria dar um tempo com o jornalismo e me dedicar à literatura: “Tá maluca? Vai morrer de fome, ninguém lê neste país!” Um incentivo e tanto. Resolvi peitar os medos e a insegurança para tentar alcançar meu objetivo. Batalhei muito para chegar até aqui. Fico feliz por não ter desistido no meio do caminho, tudo está acontecendo de maneira muito bonita. Claro que não imaginei que teria fãs, que receberia mensagens tão emocionantes de adolescentes, pais, professores, que receberia tanto carinho…

Como é escrever literatura juvenil?

TR – É a minha praia. Não gosto dessa mistura infanto-juvenil. Acho meio caído isso! Criança gosta de ser considerada jovem, mas jovem odeia ser tratado como criança. Escrevo para jovens de todas as idades: 12, 16 ou 9 anos. O retorno é muito legal. O adulto fala apenas “parabéns, o seu livro é legal”, e os jovens vibram e querem te dar um abraço. Amo escrever para adolescente. Fisgar novos leitores, fazer com que eles passem a gostar de livros e criem o hábito de ler: esse é o meu trabalho, o meu prazer.

Sente vontade de escrever para o público adulto?

TR – Nãoooo! Gente grande é chata! (Risos.) É muito mais legal escrever para jovens! Acho que já tem muita gente que escreve bem para os adultos, os jovens são mais carentes de escritores.

Qual a intenção de escrever para o público jovem?

TR – A pré-adolescência é uma fase em que os jovens começam a implicar com o livro. Então, tenho a chance de fazer com que eles percam essa implicância, que passem a achar que ler é tudo de bom, que deem à leitura muito mais valor. Eu me sinto tão feliz escrevendo para eles, que nem acredito que esse é o meu “trabalho”.

Você acha que os jovens da era digital ainda estão interessados em comprar livros? Como é a sua relação com a Internet?

TR – Sim, estão interessados, e sou a prova disso! Hoje acho a Internet primordial. No Orkut, já tenho quase 9 mil amigos. E todos os perfis que estão lá são meus! Se você achar um fake, me fala tá?! Eu que respondo a tudo! E ainda tenho um site que está entrando em reforma para ficar mais lindo. Estou sempre em contato com os leitores, que vivem me inspirando.

Uma mãe interrompe a entrevista.

MÃE – Thalita, tenho que falar com você. Faça essas meninas lerem! A minha filha, Isadora, estava com muita dificuldade de leitura, e, depois que comprou o primeiro livro seu, não para de ler. Até por outros livros já tem interesse…

TR – Ah, que coisa boa, mãe! Ela falou uma coisa linda. Acho que é por isso que escrevo, está vendo?!

A maior parte do seu público é de meninas. Você não tem nenhum projeto para os meninos?

TR – Não, não tenho… Eles vivem me cobrando, mas não tenho ainda. Sou a maior “peruinha”, mas prometo fazer algo para frente.

O que você lia na infância e na adolescência?

TR – Monteiro Lobato. Meu avô lia para mim antes de eu dormir. Acho que passei a gostar de história nessa época. Com 14 anos, descobri Sabino, Veríssimo, Ubaldo e me apaixonei pela profissão. Foi quando comecei a querer me tornar escritora e levar a coisa a sério.

E hoje em dia você lê o quê?

TR – Hoje leio de tudo! Acabei de ler A Invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares. Amo Saramago; continuo apaixonada por Sabino e Veríssimo… Outro dia encontrei com o Veríssimo numa livraria e o abracei e “tietei”, foi muito engraçado.

E de poesia, você gosta?

TR – Quase não leio poesia, mas gosto muito de Affonso Romano de Sant’Anna.

No fim do ano passado, Fala Sério, Mãe! foi levado aos palcos cariocas. O sucesso da peça surpreendeu você?

TR – Pode parecer pretensioso, mas não. O livro, mesmo depois de três anos após lançado, ainda vende muito. Investi porque acreditei que no teatro o sucesso se repetiria. Acho que ganhei novos leitores com a peça – muita gente saía de lá e comprava o livro na livraria da frente… Toda noite eu ficava uns 40 minutos autografando depois do espetáculo. Tudo de bom!

Você já recebeu alguma proposta para a televisão?

TR – Sim, já. Algumas pessoas me cantaram em relação a isso. Quem sabe não rola alguma coisa? Nada concreto, vamos ver…

Você sente algum preconceito em relação à literatura que escreve?

TR – Não, acho que não. Pelo menos não que eu tenha percebido. Graças a Deus, né?! Tomara que eu não sinta, então.

Como funciona o seu processo de trabalho?

TR – Sou superdisciplinada, escrevo todos os dias. Estou o tempo inteiro trabalhando; ando sempre com um gravador na bolsa para quando surgir alguma ideia. Mas é tudo muito gostoso…

Como serão os próximos trabalhos?

TR – Temos Uma Fada Veio Me Visitar, que é mais infantil, e depois vem Tudo por…. E já estou pensando nos próximos. Sou obsessiva, workaholic mesmo. Acordo escritora e vou dormir escritora, penso em livros e em letras o dia inteiro e ando sempre com as antenas ligadas, na praia, nas festas, no bar, no elevador…

O que você falaria para os jovens que desejam se tornar escritores?
TR – Para não desistirem. É muito difícil, mas não desistam! Se for o sonho, tem que correr atrás. Batalhei e consegui, sem nenhum QI (Quem Indica) e estou aqui. Então, não desistam!


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