IGOR COTRIM

Por Ramon Nunes Mello [Blog Click(IN)Versos – 2008]

   

igorcotrimSeu primeiro trabalho foi no seriado juvenil Sandy e Junior, protagonizado pela dupla homônima e levado ao ar de abril de 1999 a março de 2003 pela Rede Globo. Neste seriado interpretou, durante todas as quatro temporadas, Cleosvaldo (apelidado de Boca), o líder de uma gangue que fazia de tudo para prejudicar Sandy e Junior e seus amigos.

Logo após o término do seriado, fez uma participação na telenovela Mulheres Apaixonadas, levada ao ar em 2003 pela mesma emissora. Em sua primeira telenovela, interpretou Romeu, namorado da rebelde Dóris, – personagem interpretada por Regiane Alves que se tornou muito conhecida do público por espancar e maltratar os avós -, no início da trama.

Ficou por algum tempo afastado das telas e em 2005 retorna como Mateus na primeira temporada da telenovela infanto-juvenil Floribella, levada ao ar pela Rede Bandeirantes. Mateus é o melhor amigo do protagonista Frederico (personagem interpretado por Roger Gobeth). Floribella se trata de um bem-sucedida adaptação do seriado argentino Floricienta.

Em 2008, se afasta de seus papéis tradicionais em seriados infanto-juvenis e estréia no cinema como a travesti Madona em Elvis & Madona, filme de Marcelo Laffitte com data de lançamento ainda não anunciada. A travesti é apaixonada pela lésbica conhecida como Elvis, interpretada por Simone Spoladore, que engravida dela. Durante o processo de seleção do elenco do filme, Cotrim disputou o papel com travestis da vida real. Sua atuação foi chamada de “o coração da história” pelo colunista Diego Castro, do portal LGBT Mix Brasil. No mesmo ano, é lançada a telenovela Chamas da Vida, sua primeira na Rede Record, onde interpreta Jairo, integrante de uma gangue liderada por Antônio (interpretado por Dado Dolabella). Jairo morreu de overdose no meio da novela.

Você é paulista, mas mora no Rio…

IC– Sou paulistano. Nasci em São Paulo, no Campo de Marte4, no Hospital da Aeronáutica – meu pai é sargento. Nasci com minha irmã gêmea, Carolina. E fui criado em Garulhos. Vim para o Rio para trabalhar como ator, para fazer novelas e seriados. Inicialmente, morei dois anos no Rio de Janeiro, mas não deu certo e resolvi voltar para Sampa. Só regressei ao Rio em 2004 para fazer outro trabalho como ator. Nessa época, conheci Natali, minha mulher, e comecei a escrever música. Foi um exercício, passei a andar com um caderno e trabalhar com as aliterações e os malfadados trocadilhos para trabalhar com a sonoridade.

Você utiliza muitos trocadilhos em sua poesia.

IC – Sim. Mas trabalho com o viés crítico e o humor. Gosto de brincar com o lugar comum, trabalhando com o contemporâneo. Falo sobre coisas que me incomodam, nos outros e na sociedade. É um show-room de carapuças, veste quem quiser. Lido com a criação de universos, mas não tenho vaidade como escritor. Já basta o ator que é muito vaidoso. Igor pra ego é só trocar algumas letras.

Você é formado como ator na Escola de Arte Dramática (EAD), em São Paulo. Como surgiu seu interesse por literatura?

IC – Sempre tive uma memória muito forte. E gostava de brincar com as palavras. Meu pai é militar e não tinha relação com as artes. Um fato que marcou essa ligação com a arte foi quando meu pai fez um quarto separado para mim. Na verdade era um alçapão, onde eu assistia muito cinema de madrugada. Nunca tive incentivo nenhum. Larguei o colegial de Mecânica numa Federal para fazer Teatro. Freqüentei muita oficina gratuita de Teatro porque nunca tive dinheiro para estudar.

Você trabalhou quatro anos no seriado ‘Sandy & Junior’. Como foi essa experiência?

IC – Foi tranqüilo. Eles são muito carinhosos, adoro os dois. Eu chamava todo mundo de ‘galerinha mais ou menos’. Gostei de ter feito.

Você sentiu ‘preconceito’ por trabalhar nesse seriado?

IC – Claro! Preconceito do pessoal de teatro por estar na TV e preconceito do povo de TV porque eu queria ensaiar teatro. Na televisão eles não gostavam dos meus improvisos. E também existe preconceito na literatura. Um dia um filho de literário falou: ‘Nossa me surpreendi com o seu livro’. É engraçado. Surpreendeu? Porque não sou filho de um literário? Tenho preguiça dessas pessoas. Eu gosto do que escrevo! Inclusive dos trocadilhos, tem um que eu adoro: ‘jack cousteau a acreditar que o verdadeiro mergulho se dar noir’.

Você fala poesias…

IC– Sim, participo de saraus e fala os meus textos. Tem o ‘Funk do Bush’:

PUSH BUSH

Bush em inglês é arbusto

E push é empurre

Push Bush into the bush and push

Push o Bush no bush e push

Blaaaaaaaaiiiiiiiirrrrrrr

Bláblábláblábláblábláblá Blair

Bláblábláblábláblábláblá Blair

Ferme la bouche Bush

Bush big bill on Blair

Blair Big Ben on Bush

Bush big bill on Blair

War is money, honey

Guerra é dinheiro, neném

oil is money, honey

Petróleo é dinheiro, neném

War is money, war is money

War is money, honey honey

Oil is money, oil is money

Oil is money, honey honey

Awop-bop-loop Bin Laden BUM! BUM!

Sua poesia aborda muito questões políticas…

IC – Sim, porque é algo que me incomoda. Nós vivemos numa péssima democracia, uma ‘democrassia’ com dois ‘esses’. Participo do ‘Voluntários da Pátria’ com o Tico Sta. Cruz e outros poetas, fazendo manifestações contra improbidade políticas através da poesia performática. A intenção é despertar um pouco de cidadania.

A Literatura tem que ter política?

IC – Não acho que tenha que ter um papel político. Mas se você pode fazer as duas coisas, por que não?

Por que o título do seu livro é ‘Ali como Lá’?

IC – Porque minha poesia pode ir para todos os lados. Poderia ter feito um livro temático, mas não quis. Reuni diferentes tipos de poemas. O João José de Melo Franco e a Thereza Christina Rocque da Motta, meus editores, gostaram do livro. Eu não interferi em nada, a não ser numa foto. Adorei a seleção que os editores fizeram.

Quais são suas referências literárias? O que você lê?

IC – Sou muito autodidata. Sou muito imagético, minhas referências são mais cinematográficas. Mas gosto muito de ler Machado de Assis. Tem um escritor que me marcou muito: Dalton Trumbo, autor de ‘Johnny Vai à Guerra’. Já li muita literatura dramática, teatro: Shakespeare e Nelson Rodrigues. Mas confesso que não sou um grande leitor.

De que maneira o ator ajuda o poeta?

IC – As performances ficam mais interessantes, há um melhor entendimento. Eu me divirto falando poesia. A poesia começou ‘falada’. Por que a poesia não pode ser dita? Qualquer manifestação artística é válida.

Fala sobre o filme ‘Elvis e Madona’.

IC – Fiquei muito feliz com esse trabalho, principalmente com a direção do Marcelo Laffite que me deu muita liberdade para criar. Tem uns trechos do filme no You Tube:

Você se considera escritor?

IC – Sou ator. E me considero um poeta. Posso não ser o melhor poeta para algumas pessoas. Mas também sou poeta. Calma, tem espaço para todo mundo!

Por que escrever?

IC – Porque sinto necessidade. Ou para incomodar que se ressente com os atores que escrevem. (RISOS) Acabei de ganhar um caderno onde estou escrevendo meus poemas.

Como você avalia o cenário literário contemporâneo?

IC – Tem muita gente escrevendo bem. Gosto muito de Juliana Hollanda e da Adriana Monteiro de Barros.

O que você diria para um jovem que deseja ser escritor?

IC – Leia.


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