ARNALDO BLOCH
O OFÍCIO DA ESCRITA

Por Ramon Nunes Mello [SaraivaConteúdo – 2010 ]

   

 

Arnaldo Bloch é escritor e jornalista, autor de Os irmãos Karamabloch  (Companhia das Letras, 2008): “uma vida romanesca transposta para o livro de uma determinada maneira, a família que parece saída dos livros”. A carreira de Arnaldo foi influenciada diretamente pelo conglomerado de comunicação da família Bloch. Desde pequeno, ele frequentou redações e chegou a ilustrar a capa da revista Manchete, completamente nu, no primeiro ano de sua vida.

“O jornalismo era algo que não me interessava, realmente, de uma maneira muito vivaz. É claro, o fato de ter crescido dentro da Manchete me influenciou: ir ao parque gráfico, sentir o cheiro da tinta, ver as rotativas, aquela energia… Isso encantava, era um mundo espetacular. O burburinho das redações, as máquinas de escrever, que ainda existiam… Os jornalistas fumando, escrevendo. Aquele visual das janelas lá do prédio na Glória (no Rio de Janeiro ), aquele prédio lindo do Niemeyer. Tudo isso me fascinava.”

A partir daí, cursou jornalismo na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ ) e começou mesmo sua carreira como repórter e redator da Manchete. Porém, antes da decisão de dedicar-se às palavras, Arnaldo foi seduzido pela música, o som do sax. Chegou a montar uma banda de rock, O Nome do Grupo, que teve o humorista Bussunda como integrante. E, ainda, teve o privilégio de conviver com o escritor Carlos Heitor Cony, que exerceu a função de mentor intelectual.

“Eu ia à casa do Cony, que me mostrava os livros, as pinturas de que gostava. Me lembro, uma vez, que ele me mostrou aquele monstro devorando o filho, do Goya (Saturno devorando um filho, 1820-1825 ). Ele dizia: ‘Veja bem, compreendeu? Aqui na Manchete eu pinto a corte, como Goya. Quando escrevo os livros, é o monstro devorando o filho…’ Ele já me falava dessa dicotomia entre o jornalismo e a literatura. Era um tempo de censura, ele representava um pouco a liberdade para mim.”

O fato é que, para além do berço de palavras, Arnaldo Bloch transita entre gêneros, fazendo uma espécie de intercâmbio entre as linguagens. Seja na prosa ficcional, nas crônicas jornalísticas, ou na biografia, sua linguagem irônica é presente. Talvez, o sarcasmo se evidencie mais em suas crônicas — como podemos conferir no livro O ciclista da madrugada , reunião dos textos publicados em sua coluna no jornal O Globo, recém-lançado pela editora Record.

Nesta longa conversa, ocorrida no Caroline Café, no bairro carioca do Jardim Botânico, em um fim de tarde chuvoso, Arnaldo relembrou detalhes de sua trajetória profissional. Instantes após o termino da entrevista, o bistrô começou a pegar fogo. Todos saíram ilesos, apesar do susto.

Você escreveu Os irmãos Karamabloch (Companhia das Letras, 2008), sobre o império de comunicação de sua família. Fale sobre a influência desse ambiente jornalístico na sua carreira de escritor e jornalismo.

Arnaldo Bloch – As coisas caminharam em paralelo, mas o meu tesão mesmo foi mais para a criação. Fosse na literatura ou, por exemplo, na música, que sempre foi uma área de interesse. Tive uma relação com o fazer musical. O jornalismo era algo que não me interessava, realmente, de uma maneira muito vivaz. É claro, o fato de ter crescido dentro da Manchete me influenciou: ir ao parque gráfico, sentir o cheiro da tinta, ver as rotativas, aquela energia… Isso encantava, era um mundo espetacular. O burburinho das redações, as máquinas de escrever, que ainda existiam… Os jornalistas fumando, escrevendo. Aquele visual das janelas lá do prédio na Glória, aquele prédio lindo do Niemeyer. Tudo isso me fascinava. Mas essa fascinação não significava que eu desejasse ser jornalista. São muito diferentes as sensações, as linhas. Por outro lado, o meu pai, uma figura muito histriônica, muito engraçada, ao mesmo tempo, um boêmio… Figura muito bem retratada no livro, com suas luzes e suas sombras. Ele me empurrava muito à literatura russa. Tendo eu crescido dentro de um clã familiar — imigrantes, figuras exóticas, da geração do meu falecido avô Arnaldo, que nem cheguei a conhecer —, a literatura russa me fazia ver esse comportamento da minha família retratada em livros. Essa carga russo-judaica, quer dizer, tinha outro componente bem tragicômico. Ao mesmo tempo, a relação com gente ligada à empresa, por exemplo, Carlos Heitor Cony. Eu ia à casa do Cony, que me mostrava os livros, as pinturas de que gostava. Me lembro, uma vez, que ele me mostrou aquele monstro devorando o filho, do Goya (Saturno devorando um filho, 1820-1825 ). Ele dizia: “Veja bem, compreendeu? Aqui na Manchete eu pinto a corte, como Goya. Quando escrevo os livros, é o monstro devorando o filho…” Ele já me falava dessa dicotomia entre o jornalismo e a literatura. Era um tempo de censura, ele representava um pouco a liberdade para mim. Naquela época, comecei a fazer umas tentativas de contos. E comecei a ler Nelson Rodrigues. O próprio Cony me deu uma lista, foi uma espécie de mentor do que eu deveria ler. Chegando ao período universitário, eu ainda era muito fechado na família e na comunidade judaica, minha relação com a comunidade em geral era ir ao Maracanã — meu pai me levava e depois comecei a ir de ônibus, 464, com meus colegas de colégio judaico. E meu pai me levava aos botequins. Eu tinha uma relação democrática com a comunidade em geral, mas eu não tinha amigos que não fossem da família ou do meio judaico. Só quando cheguei à faculdade, na UFRJ, no jornalismo que era o caminho nessa encruzilhada…

Em algum momento você ficou em dúvida sobre que curso ingressar na faculdade?

Arnaldo Bloch – As dúvidas eram as seguintes: eu tinha a vontade de estudar química. Não sei porque. Química industrial. Uma paixão muito grande por astrofísica, isso eu tenho até hoje, por tudo que se refere ao universo, ao cosmos. Mas nada disso me parecia viável. E como eu queria criar, já escrevia os contos… O Cony lia e minha mãe ficava preocupada que eu passasse as noites em claro, lendo e me masturbando, essas coisas… Tinha (o mito d )a tuberculose. E Cony dizia: “Não, isso é bom. Deixa ele morrer. Ele tem que morrer e escrever…” Mas eu não tinha escrito nada ainda, eram várias coisas se resolvendo ao mesmo tempo, uma certa timidez… Eu cheguei à faculdade, vi aquela coisa: o laguinho da ECO/UFRJ, aquele fumacê, aquelas figura cabeludas pós-hippie, ainda era um “hippismo” tardio. Eu falei: “Aqui é Shangri-la” Mergulhei naquele mundo universitário, comecei a fazer música. Formei uma banda de rock, que se chamavaO Nome do Grupo — o Bussunda chegou a fazer parte dessa banda. Eu fiquei mais dividido ainda. A vontade de escrever ficou um pouquinho de lado para fazer música e compor.

Você se arrepende?

AB – Não, de forma alguma. Comecei naquele caminho da Manchete. Ainda era uma puta escola, havia gente muito boa lá. Resisti a todas as tentativas do Adolfo de me alçar para cima. Alçar é sempre pra cima, né? Ele queria me alçar para cargos, que eu fosse logo para a redação. Eu queria ganhar o respeito de meus colegas, ser um jornalista. Cheguei a presenciar um tiroteio. Fui para São Paulo fazer reportagem sobre AIDS, sobre a onda dos grafites na década de 80.

Quando criança você foi capa da revista Manchete…

AB  – Com um ano de idade, me fotografaram nu para uma reportagem sobre o primeiro ano de vida, capa. Depois, com uns anos, mostrava a foto para as meninas, na adolescência: “Olha só, cresceu.” Usava para fazer piada para pegar gente. Aquela coisa: “Vamos ver se cresceu mesmo…” (risos ) Como eu estava na barriga da família, nasce e é capa pelado da revista. Inclusive rendeu debate televisivo com Nelson Rodrigues na mesa e outras pessoas dizendo que era imoral. Nelson Rodrigues encerrando a discussão: “Crianças são como anjos, não têm sexo.”

Você considera Os irmãos Karamabloch uma biografia ficcional?

AB – Não é uma biografia romanceada, é uma vida romanesca transposta para o livro de uma determinada maneira, a família que parece saída dos livros. Essa família que parece saída dos livros já me circundava desde criança. A minha vida, até hoje, vem sendo de interpretar o mundo, tentando sair dessa redoma, dessa ótica. A chegada à faculdade foi a primeira libertação do útero. A atitude de sair da empresa e ir para O Globo.

Como foi essa transição?

AB – Tive vários cargos na Manchete: repórter, redator, editor de uma revista feminina — Sétimo Céu — e depois fui para a França, ser correspondente e representante da empresa, durante três anos, uma espécie de faz tudo. A Manchete não tinha mais um escritório grande em Paris. Num dado momento, percebo que as coisas estavam degringolando na empresa e dentro de mim. Porque eu precisava correr riscos, saber quem eu sou fora do útero da família. O segundo salto foi sair da Manchete e ir para O Globo. Deixar Paris, voltar para o Rio, para ver seu eu sobrevivia profissionalmente. Em minha carreira n’O Globo, que já dura 16 anos, escrevi meus primeiros romances, que são mais fáceis, romances mais fabulatórios, sem conexão direta com a realidade. O primeiro se chamaAmanhã a loucura  (Nova Fronteira, 1998). E o outro se chama Talk Show(Companhia das Letras, 2000).

Neste primeiro livro, você já aponta o caminho de Os irmãos Karamabloch, a investigação das origens…

AB – De uma maneira muito cifrada, através de um personagem que busca sua identidade. O segundo também, que é um negro falacha de olhos azuis, onde usei uma máscara judaico-africana para esconder ainda mais a identidade. Um livro difícil de ler, mas que teve muita fortuna crítica na área de transgressão. E escrevi uma biografia pequena do Fernando Sabino.

Por que Fernando Sabino?

AB – Foi um convite, um livro que escrevi sobre encomenda.

Havia uma identificação com o Sabino?

AB – Não especial. Eu tinha lido O encontro marcado  (Record) e vários outros livros. O Sabino passou pela Manchete, foi um dos cronistas importantes entre os mineiros. Na época, o editor Alberto Sprejer, que fazia a série Perfis do Rio, me chamou para fazer o perfil do Sabino e eu fui à luta. Li toda a obra, a parte que faltava, consegui um só encontro com ele por várias questões: o livro da Zélia (Zélia, uma paixão, Record, 1991), os amigos tinham morrido, a separação com Lygia Marina, que foi muito traumática… Fiz um livro cercando a vida dele através de outras pessoas, foi muito legal como experiência. A partir daí, passei a trabalhar só n’Os irmãos Karamabloch.

E continuou trabalhando como jornalista.

AB – Nesse momento, eu já estava com uma carreira jornalística mais forte n’O Globo. Comecei editando um caderno chamado Boa Chance, depois fui para São Paulo chefiar a redação. Quando voltei, fui editor do Segundo Caderno, editor-executivo de cultura. Mas a literatura já estava voltando para mim. De uma maneira que minha carreira administrativa n’O Globo começou a não dar certo, percebi que meu negócio é escrever mesmo. Num acordo com o jornal, deixei o cargo de liderança e voltei a ser repórter, repórter especial. Trabalhei muito, fiz muita coisa, mas sempre com o tom autoral. Querendo trazer a literatura para o jornalismo.

Você é jornalista e escritor, autor de romance e biografia. Como é essa transição entre gêneros?

AB – Enquanto escritor, eu trabalho de uma maneira muito intuitiva. Comigo sempre foi assim. Nunca fiz um curso de literatura, do fazer literário, seja os mais formatados, seja os cursos bons, como as oficinas do Flávio Moreira da Costa. Todo meu trabalho foi na base da tentativa e erro. Não no jornalismo, onde tive escola profissional: a Manchete e O Globo. Mas, na literatura, tentativa e erro. Escrever, reescrever, errar, me perder. Sempre achei que esse era o método. Evidentemente, a capacidade de edição de texto que adquiri no jornalismo me ajudou a aparar os excessos na literatura, me preocupar com o formato final do texto. Nos últimos anos, venho tentando trazer o lirismo para o jornalismo, tanto que acabei tendo um espaço de crônica. No final da contas, o que houve foi uma grande convergência. N’Os irmãos Karamabloch , um romance familiar, há tonalidades de crônica e jornalismo. E no jornalismo há tonalidades ficcionais e de lirismos. Depois voltei mais forte ao jornalismo com a criação dessa página semanal n’O Globo, que se chama Logo, a página logo, que desafia o jornal. A página livre, meio porra louca.

Você tinha um autor ou jornalista como referência?

AB – Na minha trajetória, eu nunca tive apenas um. O Cony foi uma grande referência. A literatura russa, alguns autores, especificamente, Kafka… Por estranho que pareça, Eugênio Ionesco, um autor de teatro do absurdo. Fiquei três anos só lendo Ionesco…

Você foi à casa do Nelson Rodrigues.

AB – Eu escrevi uma peça e levei para o Nelson. Ele me recebeu naquele lusco-fusco, fim de tarde. Tinha uma irmã dele vendo a novela das seis, sabe essas coisas meio depressivas de Copacabana? “Tudo bem? É Adolfo e tudo…” Deixei com ele a peça, ele me despachou. Quando eu voltei, um mês depois, ele me recebeu de novo, sentou comigo e disse (imitando a voz de Nelson ): “Lê Tolstói, lê Dostoiévski, lê Kafka, lê tudo… Deus te abençoe.” Não falou uma palavra sobre a peça em si, que eu tinha escrito. Me levou pela porta da cozinha, desta vez. Mas era uma coisa muito crua, uma tentativa…

Quantos anos você tinha?

AB – Quartorze anos, não sei. Mas eu nunca voltei ao teatro, não. Estou voltando, aos poucos, ao diálogo. Eu gosto muito de diálogo, tenho vontade de escrever textos encenados, seja teatro ou cinema. A ideia de entrar na roteirização me interessa muito, acho que vou acabar cruzando com essa área.

Você tem uma relação com artes plásticas?

AB – Minha relação com artes plástica é completamente amadorística. Num determinado momento, que me separei de um casamento tradicional, minha mulher, na época, teve que ficar no Leblon e eu aluguei um apartamento na Glória, perto dos travestis. Nesse período, comecei a comprar papel e pastel oleoso, carvão, misturar com Nescafé… Fiz 80 telas, emoldurei tudo. Eu já gostava de fazer crônicas ilustrando.

Em O ciclista da madrugada (Record) você utiliza suas ilustrações…

AB – Minha primeira seleção de crônicas tem um caderno central ilustrado. Algumas pessoas gostam e outras dizem: “Pô, o cara está querendo ser ilustrador.” Não, eu não estou. Estou é brincando mesmo, aquilo faz parte da minha relação com a escrita. Derramei mel, sem querer, no mármore da cozinha e um bando de formiga cercou essa mancha de mel, ficou parecendo o mapa do Brasil. Fotografei aquilo e fiz uma crônica sobre um general reformado que nunca matou ninguém durante a Ditadura, que era um homem correto… A história desse general que queria matar as formigas e quando vai dormir, morre. A questão não é a violência, é a dissuasão.

Como é esse fazer da crônica?

AB – Hoje em dia, acho que muitos cronistas sofrem porque têm um pouco de medo do leitor. O leitor é muito cruel com a questão pessoal. É reativo. Vivemos uma época muito utilitária, tudo tem que ter uma função. O Zuenir (Ventura) mesmo relatou que uma vez ele contou um fato pessoal e o leitor ficou puto. O ponto de ironia que o (Luis Fernando) Veríssimo fala. Alguns cronistas focam suas crônicas, ou estão relacionadas a fato político ou com o dia a dia da cidade. Eu busquei o contrário. Não que eu não faça crônica assim, eventualmente eu faço. Às vezes, por um foco diferente. Ou, às vezes, vou lá num filme – Tropa de Elite – e pergunto: “É fascista?” O que me interessa na crônica é o ecletismo, é fazer o que der na veneta. E, às vezes, partir do vazio mesmo. O que o Cony chama de “método digital”, não no sentido cibernético, mas no sentido de digitar qualquer coisa, nem que seja uma palavra inexistente, consoantes. Digita: oi, homem na rua. Isso não quer dizer nada, mas daí você começa a puxar… Isso deve ter alguma relação com a escrita automática, com os fluxos do inconsciente. Muitas vezes, gosto de explorar isso porque confio muito naquilo que não está revelado.

E os comentários dos leitores? E o retorno?

AB – Descobri que o e-mail  não é bom sinalizador para o número de leitores. Às vezes, vem muito e-mail porque está relacionado a um determinado segmento que foi tocado por aquela crônica. Por outro lado, têm crônicas que não dão retorno escrito, mas que são muito mais comentadas na cidade. Depois que vieram osblogs, eu não me preocupo com e-mails.

Como é sua relação com a Internet?

AB – É uma relação claudicante. Por exemplo, nunca entrei em Orkut. Tenho umblog . É um blog que, às vezes, sou mais militante, às vezes, abandono um pouco. Hoje em dia estou mais militante. Não somos remunerados pelo blog, n’O Globo. É um espaço de interação com as comunidades. Recentemente entrei no Facebook, estou achando mais legal do que esperava. Já tive uma relação mais preconceituosa com os meios digitais. E, hoje, começo a achar que a democratização vem por aí. Têm muitos autores que são cânones com maior medo porque o interesse das pessoas está tribalizado. Assim como as gravadoras já não são mediadoras para a criação musical, é claro que as editoras vão deixar de ser mediadoras da criação literária. Os autores vão ganhar menos dinheiro do que já ganham. Tudo bem que muita coisa ruim vai acabar indo à luz, mas coisa boa vai também. É a capacidade das pessoas de julgar, elas vão se educar.

Como você avalia a literatura contemporânea?

AB – É curioso porque sempre reclamamos que as pessoas leem pouco. Leem pouca literatura ficcional. Ou a “alta literatura”, que busca a estética e não contar a história. As pessoas podem ler menos esse tipo de literatura, o que é uma pena. Percebo que as feiras literárias atraem cada vez mais os leitores. Então, me contradigo: o papel ainda tem uma vitalidade tremenda.

É o fim do livro?

AB – O fim não, de forma alguma. Acredito no fim da fita cassete, que é uma merda, derrete no sol. As mídias que sobrevivem são as mídias que são boas. Por que o vinil está sobrevivendo? O CD vai sobreviver, até um certo ponto, mesmo com as mídias digitais. Tem coisas que se evidencia: o celular, quando surgiu, ficou óbvio que era melhor que telefone fixo, que os sinais de fumaça. Ele se impôs. O notebook se impôs. Mas os dispositivos de leitura são ruins. E vão ser ruins enquanto não forem moles, gostosos de manusear. Sabemos que o papel tem uma proporção de crescimento fabulosa nos países em desenvolvimento. Até jornais populares têm crescido no Brasil, imagine na China e na Índia. Já na Europa, países desenvolvidos, o papel começa a estagnar um pouco. As pessoas não percebem, papel é tecnologia. Uma mídia muito interessante de manusear, muito fácil de ir e voltar, não precisa apertar botão. A substituição (do papel) será progressiva. Mas nunca total. Eu duvido muito.