ARMANDO FREITAS FILHO

POESIAS COM ROUPAS DE CASA

Por Ramon Nunes Mello [SaraivaConteúdo – 2009 ]

   

 

Aos 69 anos, Armando Freitas Filho não quis fazer noites de autógrafos para o lançamento do seu novo livro, Lar  (Companhia da Letras). Preferiu ficar em casa com a família, dedicando-se à literatura, cercado por seus livros.

“Não tenho mais tempo a perder. Tenho muitas coisas para estudar, o que é diferente de ler.Lar  é o livro mais importante que já escrevi. Por quê? Porque é um livro onde a veste está mais rasgada. Literatura é sempre uma veste. Esse livro é o que mostra mais o coração”, declara o poeta, ao falar de sua publicação mais recente, um “livro da memória”.

“É um livro que resgata vivências pretéritas, sensações de quando eu era pequeno. Mas não há um fio de condução, é algo que se superpõe como a memória — o que Proust chamava de ‘memória involuntária’. É um livro longo, o maior que escrevi, deve ter uns 121 poemas.”

Autor de mais de 20 títulos, o poeta reuniu, em 2003, sua obra no livro Máquina de escrever  (Nova Fronteira): Palavra, Dual, À mão livre, 3×4 (Prêmio Jabuti de Poesia 1986), De corNúmeros anônimosFio terra, entre outros livros que registraram seus 40 anos de carreira. Antes de Lar, estreou na Companhia das Letras com Raro mar, lançado em 2006.

Sentado numa poltrona, Armando relembrou sua trajetória literária, detalhando episódios importantes da sua vida, desde a experiência na biblioteca do pai ao lançamento do seu primeiro livro, Palavra  (1963), com a benção de Manuel Bandeira, um de seus poetas prediletos junto a Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto — Santíssima Trindade da poesia de Armando.

Impossível conversar com Armando Freitas Filho e não falar de Ana Cristina César, os dois mantiveram uma relação marcada por poemas e cartas de amor e amizade. Não é a toa que ele tornou-se guardião e referência da obra de Ana C.

Curiosamente, na semana do encontro com o poeta, encontrei o livro Longa vida (Nova Fronteira) num sebo no Centro do Rio de Janeiro. Ana C., que assinou o prefácio do livro, fez a seguinte observação:

“Eu sou um livro — declara o poeta de saída, invertendo a fórmula de Walt Whitman, que concluía o seu Leaves of Grass  (Folhas de relva, Iluminuras, 2005) com um ‘este livro sou eu’. Quem? Who’s dunnit? ‘Quem escreve aqui? Essa questão atravessa uma longa vida.”

Por que você optou por não fazer o lançamento do novo livro, Lar (Companhia das Letras)?

Armando Freitas Filho  – Fazer noite de autógrafos é muito chato e cansativo para quem faz e para quem vai. Já fiz tantos lançamentos, mais de 50 noites de autógrafos desde 1973. Depois de um tempo — quando se tem 69 anos — fica um pouco chato. Prefiro ficar em casa com minha família. A editora me deixou livre para não fazer o lançamento.

É a primeira vez que você assina a orelha do seu próprio livro?

AFF  – Sim. Não quis que ninguém escrevesse nada. Até que consegui escrever uma orelha bastante isenta.

Lar  é um livro de memórias?

AFF  – Não. É um livro “da memória”. Inclusive a orelha começa assim: “Este não é um livro de memórias, mas pode ser um livro da memória.”

Por quê?

AFF  – É um livro que resgata vivências pretéritas, sensações de quando eu era pequeno. Na primeira parte do livro — “Primeira Série” — há trinta e poucos poemas que tratam do jogo lúdico da criança. Mas não há um fio de condução, é algo que se superpõe como a memória — o que Proust chamava de “memória involuntária”. É um livro longo, o maior livro que escrevi, deve ter uns 121 poemas. A segunda parte tem o título de “Formação”, e os poemas têm nomes, diferente da primeira parte em que os poemas são “esquetes”. É como se na segunda parte eu objetivasse a subjetividade da primeira parte. É um jogo de pegada e “repegada”. O jogo da memória é perder e ganhar, a gente nunca sabe mensurar. A terceira parte começou no livro Numeral nominal  (Nova Fronteira, na coletânea Máquina de escrever), uma série que não tem fim. São pequenos poemas com números, uma contagem infinita. Essa parte é muito importante porque, desde 2003, marca os passos da minha vida de poeta. Uma poesia companheira, que está sempre retomando. É como olhar as refrações de uma pedra. Lembro dos belos versos do Drummond: “Dos cem prismas de uma joia, quantos há que não presumo.”

O seu primeiro livro, Palavra, foi lançado em 1963. Qual a diferença de lançar um livro aos 23 e aos 69 anos?

AFF  – Acho que aos 23 anos eu não sabia que a pele era tão fina (risos ). Agora eu sei, mas não criei calo. Isso não é uma regra. Por exemplo, meu filho trouxe um simulado de vestibular de 2005 que tem o primeiro poema que escrevi para o livro Palavra: “Corpo”. Esse poema já ganhou tradução em inglês e agora está numa prova de vestibular. Inclusive li as perguntas: acertei duas e errei uma (risos). O poema, antropologicamente falando, atravessou mais de duas gerações.

Qual a sensação?

AFF  – É forte. A sensação de enxergar o que não se pode enxergar: a posteridade. Uma sensação ambígua.

Você pode ler o poema “Corpo”?

AFF  – Eu não gosto de ler porque sou gago, fica estranho. Mas leia, por favor.

 

Corpo

Acrobata enredado

Em clausura de pele

Sem nenhuma ruptura

Para aonde me leva

Sua estrutura?

Doce máquina

Com engrenagem de músculos

Suspiro e rangido

O espaço devora

Seu movimento

(Braços e pernas

sem explosão)

Engenho de febre

Sono e lembrança

Que arma

E desarma minha morte

Em armadura de treva.

 

AFF  – Escrevi esse poema aos 20 anos. Eu levei o livro Palavra , em originais, para o Manuel Bandeira ler. Ele disse: “Seu livro é interessantíssimo. Mas quem vai poder dizer uma coisa ‘batata’ são os seus companheiros de geração. Vou lhe dar dois nomes: Ferreira Gullar e José Guilherme Merchior.” José Guilherme acabou virando meu prefaciador. Eu tinha 22 e o Zé tinha 20 anos. Foi o Zé que me fez lançar esse livro. O Rubens Gerchman, meu amigo que morreu há anos atrás, fez todas as capas. Lar é dedicado a ele. Eu e Rubens fizemos dois livros juntos.

Como você conheceu o Gerchman?

AFF  – Nós nos conhecemos no Colégio Andrews, eu tinha 17 e ele tinha 15 anos. Amigos de “longa vida” (risos ). Faríamos 51 anos de amizade (O artista plástico faleceu em janeiro de 2008). Nós estávamos programando outro livro juntos. Era um entendimento de vida inteira. Sou filho único, ele era meu irmão.

Você também teve uma relação muito forte com a poeta Ana Cristina César. É inevitável falar com você e não perguntar sobre ela.

AFF  – Nossa relação foi intensa e produtiva. Por vontade da família, fiquei como curador da obra de Ana Cristina César. Organizei quatro livros póstumos por causa da intimidade que compartilhávamos. Mantínhamos uma relação de confiança pessoal e literária. Nós ficamos nessa transação forte e intensa por dez anos, de 1973 a 1983.

Qual o impacto do suicídio dela em sua vida?

AFF  – É enorme. No livro Lar , escrevi o poema “Nas bodas de prata de lei da sua morte”, sobre os 25 anos da morte dela em 1998. Nesse poema eu digo: “nunca pensei que uma coisa tão selvagem acontecesse comigo”. Fui a última pessoa que falou com ela. Eu tinha combinado de ir a casa dela, mas eu liguei dizendo que não iria porque não queria que ela pegasse gripe. Ela estava frágil. Uns 40 minutos mais tarde a mãe dela me ligou contando o que tinha acontecido e dizendo que havia uma carta pra mim.

 

NAS BODAS DE PRATA DE LEI DA SUA MORTE

 

pensando na Ana

A intimidade da sua morte pública

espetacular, com a cortina aberta

marcou minha vida funcionária.

Nunca pensei que me acontecesse

alguma coisa assim – selvagem –

tão próxima, ou que fosse possível

a alguém, contida, mas em guarda

desatar-se no espelho, de uma vez

e partisse para o ataque a si mesmo

através de dias de decididos suicídios:

primeiro, em narcótico mar, depois

corte! para o abismo da queda livre

traduzindo, à sua maneira, o tumulto

do tempo no qual viveu, de modo

perfeito, fidedigno, sensacional.

 

O que dizia essa carta?

AFF  – É uma carta escrita três meses antes. Como sei disso? Pelo que a carta dizia e pela firmeza da letra dela, que depois ficou muito trêmula por causa dos medicamentos.

Vocês foram namorados?

AFF  – Sim. Mas isso importa pouco. O que era mais forte era a ligação, a amizade. Era uma relação intensa, com muita briga e carinho.

Ela também foi amiga do Caio Fernando Abreu.

AFF  – A Ana teve conhecimento do Caio no final da vida dela. O Caio foi a pessoa que batalhou pelo lançamento do livro dela, A teus pés , na Brasiliense. Ele já era um escritor conhecido, a palavra dele era muito forte, influente.

EM 2003, na comemoração aos 40 anos de carreira, você lançouMáquina de Escrever. Por que revisar e reescrever todos os poemas?

AFF  – Eu agi como muitos autores fazem. Mas eles não dizem nada. Dylan Thomas e Murilo Mendes, dois grandes poetas, assumiram essas mudanças. Convoquei os dois e publiquei as palavras deles na contracapa do livro.

Encontrei o livro Longa Vida (Nova Fronteira) num sebo, no centro do Rio de Janeiro. O que você sente quando encontra um livro seu num sebo?

AFF  – Eu nunca encontrei, acredita? Uma vez, um rapaz encontrou um livro meu cheio de anotações e me presenteou.

Como encarar a passagem do tempo?

AFF  – É uma faca de dois gumes. O gume bom: ver pessoas novas indo ao sebo, encontrando meu livro, conversando sobre literatura. O gume ruim marca e mata. Nunca pensei que o tempo fosse passar tão rápido. Agora estou falando sobre esse assunto. É estranho. Estou falando de alguém que já escreveu e viveu muito. E pergunto: Falta o quê? Quanto tempo ainda falta? Você vai se lembrar disso quando tiver a minha idade. Vai lembrar que um homem de 69 anos disse: “Nessa idade a gente nunca sabe o que falta. Não se sabe se conta mais ou menos um dia.” Você vai se lembrar. É uma espécie de praga… (risos ) Eu conto minha vida por livros publicados e Copas do Mundo. Até que Copa eu vou? Em 2014 espero estar vivo para assistir a próxima Copa no Brasil, como assisti em 1950. Depois de um tempo a gente vive fazendo contas, algo inimaginável quando se tem 20 ou 30 anos. Eu lido muito mal com o envelhecimento, fico indignado. Não sou um velho bonzinho. Fico puto! Sou católico, mas não cumpro todos os ritos. Acredito em Deus. Mas isso não me impede de ficar revoltado. Quero ir para o céu. Mas o que é o céu? Pode ser uma delícia insuportável, como o pudim de leite. Quero que o fim seja uma delícia suportável.

De onde surgiu essa paixão pelas palavras?

AFF  – Eu fui parcialmente cooptado para a literatura através de minha família. Meu pai era procurador, lia muito e vivia rodeado de livros. Eu sempre gostei de ler. Sou mais leitor do que escritor, passo minha vida lendo. Mas eu fui um menino rebelde e difícil. Aos 15 anos, comecei a escrever, era bom em português e adorava escrever redação. Em 1956, meu pai me presenteou com as obras completas do Manuel Bandeira e do Carlos Drummond de Andrade.

Você costuma dizer que Manuel Bandeira, Drummond e João Cabral de Melo Neto formam a santíssima trindade da sua poesia…

AFF  – Exatamente. E junto agora o poeta Ferreira Gullar, meu amigo.

Você Já afirmou que seu “poeta de vanguarda, poeta lato sensu, foi Ferreira Gullar”. Mas ao mesmo tempo você esteve engajado à Poesia Práxis, movimento de vanguarda rival à Poesia Concreta, do qual Gullar fez parte.

AFF  – Eu e o Gullar não tínhamos a relação que temos hoje. Sobre a Práxis: eu acreditava muito pouco na proposta dos concretistas. E apoiei o Neoconcretismo, movimento que repôs o coração de volta ao poema. O Concretismo extraiu o coração do poema e não colocou nada no lugar. A Práxis mantinha o curso e a coloquialidade da frase. Eu queria escrever e não ter uma “prisão de ventre estética”. Compreende? Quero escrever os porquês todos.

Como é escrever depois da produção dos grandes poetas?

AFF  – Temos de querer ultrapassá-los. Há dois lados: o amor e a raiva, a vontade de matá-los para criar. É escrever.

Você tem algum ritual na escrita?

AFF  – Não tenho rituais para escrever, mas tenho manias. Sou muito mais preso em casa, por exemplo. Não tenho mais tempo a perder. Tenho muitas coisas para estudar, o que é diferente de ler. Estou sempre escrevendo no meu escritório. Lar é o livro mais importante que já escrevi. Por quê? Porque é um livro onde a veste está mais rasgada. Literatura é sempre uma veste. Esse livro é o que mostra mais o coração.

Costumam dizer que sua obra apresenta uma “escrita viceral”?

AFF  – De fato, sempre mostrei as vísceras na escrita. Só que o empenho estético, muitas vezes, veste essas vísceras. No Lar , estou com a roupa de casa. Quem escreve nunca está nu, escrever é um escudo de papel. Por isso acho que Lar é o meu livro mais forte.

E a partir dos livros De Corpo Inteiro (1975) e À Mão Livre (1979) você se aproximou do racionalismo de João Cabral De Melo Neto…

AFF  – Sim. Mas não perdi as vísceras. Quando eu tinha 15, meu pai me deu um vinil com Bandeira lendo poemas no lado A e Drummond lendo poemas no lado B. Esse foi meu grande feito intelectual. Amei o lado B. Conheci o Bandeira, tive uma convivência amistosa com o Drummond e com João Cabral conversei muito. Eu e João fomos confidentes. Esses três foram a minha base e formação. Sou extremamente grato a eles. Eu não me entenderia como ser humano, por exemplo, sem a poesia Drummond.

Heloisa Buarque de Hollanda, sua amiga, disse que “a espinha dorsal de sua poesia é constituída por três grandes enigmas que a psicanálise chama do ‘real': a morte, a origem e o sexo”. Concorda?

AFF  – Eu devo muito a Heloisa Buarque. Ela foi a primeira pessoa que me convidou a falar numa universidade, isso em 1970. Ela levou uma legião de jovens para a academia: Chico Alvim, Cacaso… Sobre esse comentário, esses elementos estão presentes em Lar . Helô acerta em cheio. O escritor é aquele que reescreve. Aos 20 anos eu já falava em morte. Ou seja, eu sou um obcecado mórbido (risos). Talvez, a palavra que mais aparece em minha poesia seja “morte”, o Control+L comprova.

Como você utiliza a Internet?

AFF  – Lido com o que preciso: editor de texto, e-mail  e Google — mas não abro mão da enciclopédia. Outro dia, andando na rua, tirei uma foto pelo celular. Ando muito a pé. Então, tirei a foto da minha sombra contra o asfalto e enviei do celular para minha caixa de e-mail. Chama-se “De cara no chão”. Essa foto é inspirada numa foto que Mário de Andrade tirou da sombra dele contra a terra.

A cidade interage na sua poesia de que forma?

AFF  – O tempo inteiro. Minha poesia é muito urbana. Inclusive no livro Raro mar  (Companhia das Letras, 2006), A cidade muitas vezes se confunde com o corpo, conjugam o mesmo verbo.

Numa entrevista ao escritor e jornalista Luciano Trigo, você declarou que o período da Ditadura militar mutilou seu livro Marca Registrada (Pongetti, 1970). Como a situação política interfere em sua produção?

AFF  – Continuo sendo uma pessoa de esquerda; nunca votei na direita. Embora eu vote no PT, nunca me filiei a nenhum partido. O Golpe Militar (em 1964 ) foi terrível para minha geração, nós tínhamos 20 anos… (silêncio) Um golpe no peito da minha geração. Amigos foram presos, foram mortos inocentes! Amigas foram torturadas. Os militares brasileiros foram infames e não lavaram a farda suja de sangue, passaram incólumes. Não gosto de falar desse assunto porque fico revoltado. Companheiros de geração foram exilados, submetidos à tortura. O poeta Ferreira Gullar foi preso e colocado numa câmara fria. Também prenderam Graciliano Ramos (durante a Ditadura do Estado Novo, instituído por Getulio Vargas, em 1937). O Brasil tem a triste tradição de encarcerar alguns dos seus melhores cérebros.

E o governo Lula?

AFF  – É o melhor governo que o Brasil já teve. Por que não é melhor? Porque as alianças políticas são vergonhosas. O que é o Sarney? Esse homem destila como uma epidemia que contamina todo o governo. Para governar um país complexo é preciso fazer alianças complexas. É triste, mas é verdade.

Em 1986, você ganhou o prêmio Jabuti com o livro 3×4 (Nova Fronteira). em 2007, o livro Raro Mar (Nova Fronteira) ficou em 3º lugar. O que muda com esses prêmios?

AFF  – Não muda nada. Não posso dizer que não fico contente e envaidecido. Mas não muda nada. Agora quero um prêmio com grana (risos ).

Você foi assessor da presidência da Funarte, pesquisador da Biblioteca Nacional, pesquisador na Fundação Casa Rui Barbosa. Como conciliar o ofício de poeta com os outros trabalhos?

AFF  – São inconciliáveis. Eu trabalhava brigando. Trabalhei 35 anos, mas nunca fui um funcionário público exemplar,como Carlos Drummond. Aliás, nunca fui exemplar em nada. Sabe o que é ir para o prédio do MEC durante 27 anos? Eu precisava trabalhar para sustentar minha família.

Qual seria a maior característica da produção poética atual? Há um diálogo forte com os poetas dos anos 70?

AFF  – Não vou citar nomes porque uma vez fiz isso e caiu a casa em cima de mim. Considero essa produção excelente. Não estou fazendo média com os moços. Há um ponto muito positivo: essa produção não é uniformizada. A poesia marginal, por exemplo, “desengravatou” a poesia brasileira, mas criou uniforme com chinelos de dedos — o que foi ótimo. A geração atual é variada, tem o Google nas mãos. É positivo desde que se tenha cuidado. A época de se escrever nas pernas das moças passou, tem de haver dedicação.

O que é necessário para ser poeta?

AFF  – Paixão e desconfiança. Tem de ser apaixonado, mas tem de contestar essa paixão.


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