escolhas

 

Escolhas: uma autobiografia intelectual

(Rio de Janeiro: Língua Geral, 2009)

Organização e Pesquisa de Ramon Mello
Prefácio de Beatriz Resende
Texto de orelha de Zuenir Ventura
Editor: Eduardo Coelho

 

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Com mais de 45 anos de magistério, Heloisa Buarque de Hollanda é dona de uma carreira singular. É o que mais se destaca no livro Escolhas: uma autobiografia intelectual, lançado pelas editoras Língua Geral e Carpe Diem.

Sua singularidade é fruto de uma experimentação profissional, arrojada e combativa, que foge dos parâmetros acadêmicos: ficar ao mesmo tempo dentro e fora da universidade, com um pé nos estudos crítico-teóricos e um olho que se volta para o mundo. Não se trata, contudo, apenas de uma alternância de pontos de observação, pois Heloisa busca, sobretudo, articular os dois espaços. Nesse sentido, ela tem deixado em evidência tanto a legitimidade do intelectual, quanto a criatividade e as inovações dos artistas da periferia. É a universidade e a periferia pensando juntas, sem concessões de parte a parte, tornando os dois lugares mais sensíveis a uma compreensão mais ampla da cultura.

Conhecendo-se o percurso profissional de Heloisa Buarque, toma-se pé de boa parte das inovações dos últimos cinquenta anos, muitas das quais antecipadas por ela. Sua carreira vai dos estudos sobre os livros mimeografados dos poetas marginais ao uso criativo da web.

Ao mergulhar no universo da cultura digital desde o seu surgimento, Heloisa começou a discutir o futuro do livro como suporte e o da leitura como percepção. Logo observou que a internet proporciona o aparecimento de um novo competidor na disputada indústria cultural: a própria sociedade. Havia então uma transferência de poder que ela identificou, antecipadamente, na produção das periferias.

São fatos que revelam o seu faro aguçado para descobrir e enxergar, com lucidez, as novas tendências, quando elas ainda nem estavam em evidência. Um visionarismo por sinal bem a moda de seus poetas mais queridos.

Em Escolhas é possível conhecer o percurso audacioso de Heloisa Buarque de Hollanda, que vem acompanhada de nomes e fatos importantes do pensamento e da arte do século XX. Um livro também inovador pelo seu hibridismo, mistura de ensaio e autobiografia, apego à tradição e ao futuro. Como afirmou Beatriz Resende na apresentação de Escolhas, de tanto identificar novas ondas que surgem na cultura brasileira, Heloisa se torna, a esta altura, ela mesmo um Tsunami.


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