RAMON MELLO: AGENDA CULTURAL

Dias contados... para o trabalho de Rodrigo de Souza Leão vir à luz

 

O número atual da revista Ficções se encerra com trechos do romance Me roubaram uns dias contados, de Rodrigo de Souza Leão, a sair pela Record em julho. A beleza e a tristeza andam juntos nos textos desse escritor, que sofria de esquizofrenia e morreu prematuramente ano passado. Shahid conversou com o responsável pela organização da obra do autor, o poeta e jornalista Ramon Mello. Ele também trabalha na adaptação de um dos livros de Rodrigo para o teatro.

Você está trabalhando na adaptação teatral do romance Todos os cachorros são azuis. Como será o espetáculo?

Ramon Mello – O projeto, adaptação do livro homônimo de Rodrigo de Souza Leão, foi contemplado por um edital de teatro, o que permitirá a montagem do espetáculo. Mas estou batalhando, junto aos produtores Elvira Rocha e Roberto Jerônimo, em outros editais para que possamos realizar a ideia em sua completude. A adaptação será realizada em processo com os atores Bruna Renha, Thiago Mendonça, Natasha Corbelino e Camila Rhodi. A previsão é iniciarmos os ensaios no segundo semestre. Vou dirigir o espetáculo junto com Flavio Souza, meu parceiro nesta viagem.

Qual foi sua impressão do Rodrigo no primeiro encontro que tiveram?

Ramon Mello – Conheci Rodrigo através de seu trabalho, ao ler Todos os cachorros são azuis. Fiquei fascinado com a literatura de Rodrigo, com vontade de conhecê-lo pessoalmente. Então, marquei um encontro para entrevistá-lo para o Portal Literal. De imediato fiquei com receio, pois nunca tinha tido contato com um esquizofrênico. Ainda bem que enfrentei minha ignorância, Rodrigo foi uma das melhores pessoas que conheci na vida. Apesar dos delírios, ele tinha grande lucidez da vida, um olhar atento ao outro. A impressão era de estar diante de uma pessoa que não cabia em si, sofrido.

Você também ficou responsável pela organização da obra do autor. Como é esse trabalho?

Ramon Mello – A família Souza Leão, os pais de Rodrigo, me convidaram para organizar sua obra. Estou lendo os textos que ele deixou; alguns livros de prosa e outros de poesia. A editora Record publicará sua obra inédita, o primeiro livro a ser lançado será Me roubaram uns dias contados — o último romance de Rodrigo. Na organização deste trabalho recebi a colaboração importantíssima dos poetas Leonardo Gandolfi e Silvana Guimarães, amigos de Rodrigo. A ideia é lançar o livro no dia 2 de julho, data de seu falecimento.

Você lançou o livro de poemas Vinis Mofados (Língua Geral) — elogiado pela crítica — no fim de 2009. Quais são seus planos para um próximo livro?

Ramon Mello – Antes de publicar Vinis Mofados, eu escrevi um romance chamado All Star bom é All Star sujo. Quero voltar a esse livro para finalizá-lo, mas só pretendo fazer isso após a adaptação do livro de Rodrigo de Souza Leão. Literatura requer tempo, então uma coisa de cada vez. Agora é o momento do Rodrigo, sem dúvida. Enquanto isso, anoto meus poemas num bloco de notas, sem pressa.

Que escritores você tem lido?

Ramon Mello – Leio muito os autores contemporâneos devido ao meu trabalho como jornalista. Carola Saavedra é uma escritora que me desperta muito interesse, leio com prazer. E ando apaixonado pela Adalgisa Nery, uma poeta que está esquecida. A história de vida e a poesia de Adalgisa é fascinante — o livro A Imaginária é uma obra-prima.

[Entrevista realizada por Valéria Martins, em 2010, para o

Shahid Produções Culturaiswww.shahid.com.br]


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