“Vira-lata de raça: memórias” deverá desvendar capítulos importantes da história oculta do cidadão Ney de Souza Pereira


 Por Mauro Ferreira, G1

 “Eu sou só um bicho carente de carinho/ Uma criança problema no meio de um dilema/ Ou choro sozinho num canto na hora do espanto/ Ou banco o palhaço e faço estardalhaço”.

Os versos acima são parte da letra de “Vira-lata de raça”, música escrita por Rita Lee – em parceria com o filho mais velho, Beto Lee – para perfilar Ney Matogrosso e lançada pelo cantor há 20 anos no visionário álbum “Olhos de farol” (1998).

Duas décadas após o lançamento da composição, até hoje gravada somente por Ney, a música “Vira-lata de raça” batiza o livro de memórias que o artista mato-grossense vai lançar neste mês de novembro pela editora Tordesilhas.

A obra contém depoimentos inéditos de Ney na primeira pessoa, além de fotos do artista em diversas fases da vida. A organização do livro, a pesquisa de dados e as conversas com Ney para a coleta dos depoimentos foram confiadas a Ramon Nunes Mello, escritor e poeta fluminense conceituado no universo literário.

O icônico cantor lembra de momentos marcantes de sua trajetória pessoal e profissional, dos anos 1970, quando despontou no cenário nacional com a banda Secos & Molhados, até agora. Ele ressalta a importância de sua formação familiar – principalmente a relação conturbada com a autoridade do seu pai –; os lugares onde viveu pelo país; a forte conexão espiritual com a natureza; a experiência com as drogas; a certeza e o desejo de ser um artista realizado; o combate a censura e transgressão estética; a liberdade para lidar com sua sexualidade e seus amores, como a relação que viveu com Cazuza; a firmeza para lidar com as perdas da vida; e a leveza para lidar com o passar do tempo e se reinventar.

A edição do livro “Vira-lata de raça” deverá desvendar capítulos importantes da história oculta do cidadão – Ney de Souza Pereira, de atuais 77 anos, completados em 1º de agosto – que vive por trás da personalidade artística de Ney Matogrosso, nome referencial no universo do canto masculino brasileiro.

Até então, o único livro sobre a vida do artista é “Um cara meio estranho” (1992), escrito por Denise Pires Vaz, editado há 26 anos e já fora de catálogo há cerca de duas décadas. Houve em 2002 um (também já raro) livro de fotos, “Ousar ser”, com entrevistas com Ney, mas calcado sobretudo em imagens do artista.


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