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Poeta de Copacabana faz do factual poesia pura

por LEANDRO LIMA - O GLOBO - 05/07/2012

RIO — É com versos como “Não copie e cole/ se aproprie e recrie a realidade” que Ramon Mello, morador de Copacabana, dá o tom ao seu segundo livro, “Poemas tirados de notícias de jornal”, recém-lançado pela Móbile Editorial. Contemplada pelo Edital Novos Autores Fluminenses 2010/2011, do governo estadual, a obra é feita de poemas criados a partir de descontextualização de notícias de jornal publicadas de 1984 (ano em que nasceu) até 2010, e é repleto de referências a obras de outros autores. Tal apropriação já aparece no nome do livro, inspirado no “Poema tirado de uma notícia de jornal”, de Manuel Bandeira.

O escritor, com formação em artes cênicas e jornalismo, explica que buscou investigar a relação escritor/jornalista explorada no passado por autores como João do Rio e Nelson Rodrigues:

— Fui em busca da minha voz própria, de uma dicção na poesia, mesmo em cima de uma técnica que não é nova, que é a da apropriação da escrita de outros autores.

Para Mello, “Poemas tirados...” é uma reflexão do que é fazer literatura contemporânea numa era em que somos seduzidos por uma série de recursos visuais e na qual nos relacionamos por mídias sociais que “banalizam as palavras”. O morador de Copacabana diz que foi atrás de um entendimento do passado para buscar um caminho atual que não sabe qual é:

— Vivemos num período de grandes mudanças. Tem a questão autoral em tempos de compartilhamento de dados na internet, tem a fragmentação do texto nas mídias novas. Estamos num caldeirão de técnicas e ideologias utilizadas todas ao mesmo tempo. Esse caminho ainda não pode ser definido.

Mello parte hoje para Londres, como convidado do Rio Artists Occupation London 2012, residência onde artistas brasileiros farão trabalhos individuais e coletivos.


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